Copas do Mundo
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Copa do Mundo de 2010
África do Sul

Assim como em 2002, a Copa do Mundo de 2010 teria uma casa diferente daquelas comumente chamadas para sediar o campeonato. A bola rolaria na África do Sul. Outros países tentaram estragar a festa africana, mas pesou a favor do país sua diversidade cultural, seus atrativos turísticos, sua história política e, principalmente, a figura de Nelson Mandela.

A Copa do Mundo percorreu nove cidades da África do Sul: Joanesburgo, Cidade do Cabo, Durban, Port Elizabeth, Nelspruit, Polokwane, Pretória, Bloemfontain e Rustenburg. Cinco estádios foram construídos para a competição. Pela primeira vez, o país erguia estádios dedicados especialmente para a prática do futebol (até então, as praças esportivas eram todas construídas para o rúgbi e o críquete).

Duzentas seleções participaram das eliminatórias para as 31 vagas em jogo. Todas as campeãs do mundo garantiram seus lugares no torneio. Sérvia e Eslováquia participaram pela primeira vez como nações independentes. Coreia do Sul e Coreia do Norte, pela primeira vez juntas em uma Copa, também integraram as seleções do Mundial de 2010.

As zebras começaram a passear logo na primeira fase. Itália e França, as duas seleções que haviam disputado a final em 2006, foram eliminadas sem vencer uma única partida. Os italianos empataram duas vezes e perderam outra. Os franceses tiveram desempenho pior, perdendo duas e empatando uma.

A África do Sul, com o brasileiro Parreira como técnico, lutou muito, mas foi eliminada ainda na fase de grupos, tornando-se a primeira anfitriã a cair nesta etapa da competição. Após o término da fase de classificação, três seleções já despontavam como as prováveis finalistas do torneio: Alemanha, Espanha e Holanda. A Espanha, após a derrota para a Suíça na primeira partida, encontrou seu jogo e seguiu firme, assim como a Alemanha. Já a Holanda passou sem sustos.

As oitavas de final aconteceram sem nenhuma surpresa. Todos os favoritos bateram seus adversários. A Alemanha surpreendeu positivamente e deu uma surra na Inglaterra por 4 a 1. Na sequência, os alemães enfrentaram a Argentina pelas quartas de final ― que só teve grandes jogos (Paraguai e Espanha, Brasil e Holanda, Uruguai e Gana).

As equipes do Uruguai e de Gana estavam atrás de um lugar na história. Enquanto Gana tentava uma colocação inédita para as seleções africanas em Copas do Mundo, os sul-americanos buscavam chegar a uma etapa do torneio que não era alcançada desde a Copa de 1970. O jogo começou com os uruguaios atacando mais. E com o goleiro Kingson pegando tudo. Vez ou outra os africanos chegavam ao gol adversário com perigo. No final do primeiro tempo, em uma dessas estocadas, Gana abriu o placar. Muntari mandou um balaço de fora da área, sem chance para Muslera. Gana 1 a 0.

O Uruguai voltou com muita vontade para o segundo tempo e empatou aos 10 minutos, com Diego Forlan. O jogo prosseguiu com chances para ambos os lados, mas faltava calma para concluir as jogadas. A partida caminhou para a prorrogação. Com os nervos em frangalhos, as duas equipes pareciam não conseguir produzir, sucumbindo sempre à marcação adversária. Isso aconteceu até o último minuto, quando Gana teve a chance da vida para eliminar o Uruguai.

A bola ficou pipocando na área uruguaia. Ninguém conseguia marcar nem tirá-la de lá. A pelota subiu, veio uma cabeça ganesa para empurrar para a rede e... apareceu a mão do atacante Suárez. Ele deu um soco na bola e foi expulso. Além da expulsão, pênalti para Gana bater. Isso tudo no último minuto da prorrogação. Asamoah Gian se apresentou para a cobrança. Finalmente Gana iria para uma semifinal. Mas Gian encheu o pé na bola e a danada explodiu no travessão, dando sobrevida ao Uruguai. O juiz encerrou a partida em seguida.

Os pênaltis começaram com o Uruguai batendo. Diego Forlan, eleito depois o melhor jogador do Mundial, converteu. Assim foi até a cobrança de Mensah, que parou nas mão de Muslera. Maxi Pereira perdeu na sequência também, assim como Adiyiah. O próximo a bater seria Sebastian Loco Abreu, e se fizesse mandaria a Celeste para a semifinal. Loco teve sangue frio de sobra e, com uma cavadinha, classificou os uruguaios para a fase seguinte.

Após essa epopéia, viria a fase semifinal, com o Uruguai pegando a Holanda, e a Alemanha ― após outra surra em uma grande seleção, 4 a 0 na Argentina ― enfrentando a Espanha. Mais uma vez, duas grandes partidas definiram os finalistas. Em jogo de cinco gols, a Holanda, responsável por eliminar o Brasil da disputa, bateu a Celeste por 3 a 2. Na outra partida da semifinal, a Fúria venceu a Alemanha por 1 a 0.

A decisão seria entre Holanda e Espanha, duas seleções que jamais haviam sentido o gostinho de levantar a taça. A Espanha nunca tinha disputado uma final de Copa, mas vinha da conquista da Eurocopa 2008.

A final, no dia 11 de julho, levou quase 85 mil pessoas ao Soccer City, em Joanesburgo. No primeiro tempo, as duas equipes mostraram-se muito nervosas. Diversos cartões e uma voadora de De Jong no peito de Xabi Alonso (que merecia a expulsão) se sobrepuseram ao bom futebol das equipes durante a Copa. A falta de pontaria por um lado e os bons goleiros por outro impediram a abertura do placar durante o tempo normal.

Casillas e Stekelemburg salvaram suas seleções em diversos momentos da disputa. David Villa, Arjen Robben, Sergio Ramos, Dirk Kuyt e Cesc Fábregas tiveram oportunidades diante dos arqueiros, mas ou chutavam para fora, ou paravam nas grandes defesas de ambos.

Sem a abertura da contagem, a decisão se encaminhava para a prorrogação. Com o cansaço, os nervos à flor da pele e a ansiedade pelo placar que não vinha, o jogo passou a ser mais coração do que técnica. Não havia mais muito posicionamento em campo e o negócio era tentar fazer o gol. A Espanha parecia mais inteira e levava mais perigo. O jogo já estava no segundo tempo da prorrogação e parecia que o zero se manteria no placar. Alguns já pensavam na decisão por pênaltis, que também seria de arrepiar.

Foi quando Villa dominou a bola do lado esquerdo do campo e fez a inversão para Iniesta, que passava do outro lado. A zaga holandesa interceptou o passe e a bola sobrou nos pés de Fábregas, que voltou a rolar para Iniesta. O meio-campista dominou a Jabulani, nome dado à bola da Copa, passando pelo zagueiro holandês, e soltou uma bomba no canto de Stekelemburg. A Espanha abria o placar aos 11 minutos do segundo tempo da prorrogação, sem dar chance de recuperação ao já combalido adversário.

Espanha, campeã do mundo pela primeira vez. Um título conquistado graças à ótima geração de jogadores, que mesclava atletas jovens e experientes, e ao sistema de jogo tic-taka ― com toque de bola bastante eficiente, e por vezes irritante, que mantinha o time com a bola e o adversário na roda.





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