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Copa do Mundo de 2002
Coréia do Sul

Japão e Coreia do Sul eram os principais candidatos para sediar a Copa do Mundo de 2002. Para não desagradar nenhum dos lados ― e também para aumentar as chances dos dois países ― foi acertada uma candidatura única, que acabaria por levar, pela primeira vez, o Mundial ao continente asiático.

Os dois países não pouparam esforços nem dinheiro para realizar a melhor competição possível. Além do luxo e da perfeita organização, o Mundial de 2002 reservou muitas surpresas e decepções. A escolha pelas duas sedes foi a primeira surpresa. Pela primeira vez, dois países receberiam o torneio.

Quando a bola rolou, outra surpresa: França, campeã de 1998 em cima do Brasil, foi despachada logo na primeira fase com duas derrotas, um empate e nenhum gol marcado. Um fiasco! Outra surpresa: a eliminação da Argentina, que ficou atrás de Suécia e Inglaterra no seu grupo e deu adeus ao Mundial mais cedo do que previa.

Inglaterra e Argentina fizeram um emocionante jogo na primeira fase. Os dois times eram muito bons. Beckham, Seaman, Campbell e Owen do lado inglês. Batistuta, Aimar, Sorín, Zanetti e Veron pelo lado argentino. Beckham, expulso no confronto na última competição (que acabou resultando na derrota e na eliminação da Inglaterra do torneio), queria vingança. Sua vontade e o bom momento do time inglês prevaleceram na partida. Depois de infernizar a defesa argentina durante todo o jogo, Owen sofreu um pênalti. Beckham converteu, garantindo a vitória da Inglaterra.

A Turquia também surpreendeu em seu grupo, que tinha Brasil, China e Costa Rica. A seleção turca deu muito trabalho ao Brasil, fazendo um jogo duro, pegado, com muita provocação. Classificou-se ao lado dos brasileiros e foi passando de fase até encontrar novamente o Brasil na semifinal. Outra vez um jogo brigado.

Hasan Sas, atacante turco, cansou a defesa brasileira, partindo para cima e criando boas alternativas para a seleção da Turquia. No final, 1 a 0 Brasil, em um jogo suado, daqueles que o torcedor não gosta nem de se lembrar. A Turquia bateu a Coreia e terminou o Mundial na terceira colocação, a melhor de sua história.

O Brasil classificou-se no sufoco para a Copa. Nossa seleção não apresentava um bom futebol. Ronaldo, o principal atacante brasileiro, não estava bem, e parecia que a seleção não teria muito futuro. Mas o elenco contava com jogadores de alta qualidade. Além de Ronaldo, Roberto Carlos, Rivaldo, Ronaldinho, Marcos e Cafu formavam uma base sólida para o selecionado brasileiro.

Alheia a tudo isso, quem vinha fazendo um bom papel na Copa era a seleção da Coreia do Sul. Uma das anfitriãs, a equipe empolgou sua torcida e também alguns juízes que apitavam suas partidas. No jogo contra a Itália, um dos bons do Mundial, não fosse a arbitragem pífia do equatoriano Byron Moreno, talvez o destino da seleção da casa fosse outro.

O atacante Vieri abriu o placar ainda no primeiro tempo para os italianos e cozinhou o restante do jogo para garantir a classificação. Não contava com o empate dos sul-coreanos aos 43 do segundo tempo, em um gol de Seoul. A prorrogação foi um show de lambanças e lances equivocados de Moreno. Primeiro expulsou Totti, após reclamação do italiano por um pênalti legítimo não marcado. Depois anulou um gol, também legítimo, anotado por Tomasi, alegando impedimento no lance.

Com tamanha confusão, os italianos ficaram irritados e deixaram de jogar. Só reclamaram durante o restante da partida. O fechamento com chave de ouro veio com Ahn, que marcou o gol da Coreia na morte súbita (ainda existia essa regra: assim que saísse o gol, a partida se encerrava).

Quem achou que os erros de arbitragem iam acabar por ali, enganou-se. Depois da Itália, o adversário sul-coreano seria a Espanha, outra forte e tradicional seleção. O juiz que apitou a partida foi o egípcio Gamal Ghandour.

A Espanha foi para cima, tentando logo abrir o placar para espantar a zebra. Até conseguiu, com Joaquin. Mas o árbitro deu falta do atacante em um lance legal. O jogo seguiu e a Espanha não desistiu do gol. Já na prorrogação, foi a vez de Morientes empurrar para as redes após cruzamento de Joaquin, mas Gamal Ghandou deu saída de bola. A bola nem chegou perto da linha de fundo... Depois de muito empurra empurra, o jogo chegou nas penalidades. Mesmo se a Coreia não se classificasse, já teria que agradecer muito por ter conseguido arrastar o jogo até ali.

As penalidades começaram e, quando todo mundo achou que a vergonha já tinha acabado, mais uma surpresa. Em um dos pênaltis da Espanha, cobrado por Joaquin, o goleirão sul-coreano quase saiu nos pés do atacante, conseguindo defender a cobrança. O juiz? Bem, o juiz validou o lance e classificou a Coreia do Sul para as semifinais. Na fase seguinte, não teve mais jeito, e a Alemanha bateu a Coreia e foi fazer a final contra o Brasil.

A final inédita entre Brasil e Alemanha colocava frente a frente dois times que foram se fortalecendo durante o torneio e que eram incógnitas antes da Copa começar. Mas ali estavam duas escolas bastante tradicionais, das quais nunca se pode duvidar. O jogo foi bom, bolas na trave dos dois lados, em lance de Kléberson para o Brasil e Neville, de falta, para a Alemanha. Marcos ainda deu um leve toquinho na bola antes dela explodir na trave.

Ronaldo perdeu algumas oportunidades, mas era sempre vigiado de perto por diversos alemães. Foi numa roubada de bola de Ronaldo que saiu o primeiro gol do jogo. O zagueiro alemão dormiu no lance, Ronaldo tomou e fez tabela com Rivaldo, que arrematou para o gol. O atacante brasileiro duvidou do goleiro Kahn, eleito o melhor da Copa, que rebateu a bola nos pés do camisa 9. Brasil 1 a 0.

Pouco depois, outra jogada de Rivaldo e Ronaldo acabaria nas redes. Kléberson tocou para Rivaldo, o meia deixou passar para Ronaldo, que bateu seco no canto de Kahn. Brasil 2 a 0. Placar que permaneceu até o fim do jogo.

O Brasil era pentacampeão mundial de futebol. O time desacreditado de Felipão, depois chamado de Família Scolari, superou tudo e levantou o caneco. Em três finais seguidas disputadas (1994-1998-2002), o Brasil ganhou duas e se tornou a seleção com mais títulos do Mundial. Festa, samba e carnaval fora de hora invadiram o continente asiático.





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