Copas do Mundo
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Copa do Mundo de 1978
Argentina

Depois de muitas candidaturas fracassadas, a Argentina seria a sede da décima primeira edição da Copa do Mundo. Dois anos antes do início da Copa, no entanto, o país foi palco de um golpe militar, que depôs Isabel Perón e deu início a uma sangrenta ditadura, marcada pela violação dos direitos humanos e pelo desaparecimento de dezenas de milhares de pessoas. O país vivia um momento bastante delicado e a indefinição sobre a realização da Copa no país era permanente.

A FIFA, tendo como presidente João Havelange, decidiu que o torneio aconteceria no país. Mesmo com as garantias de Havelange, alguns atletas contrários à política argentina não quiseram participar do Mundial. O alemão Paul Breitner e o holandês Johan Cruiyff foram dois exemplos significativos (anos depois, o holandês desmentiria o caso).

Mas Copa do Mundo é bola rolando, e quando os jogos começaram, todo o pavor foi deixado para trás. O Mundial da Argentina não foi dos melhores. A maioria dos craques que encantaram o mundo em 1970 e em 1974 não estava mais lá. Os estádios apresentaram gramados ruins e foram longos e muitos os deslocamentos entre as cidades que receberam as partidas ― Córdoba, Rosário, Mendoza, Mar Del Plata e Buenos Aires.

O Brasil não empolgava seus torcedores, já que Claudio Coutinho, com suas mudanças táticas malucas, não conseguiu dar padrão ao time que tinha dois camisas 10 de respeito: Zico e Rivelino.

Zico protagonizou o momento mais inusitado da seleção durante a competição. O Brasil enfrentava a seleção da Suécia na primeira fase, em um jogo duríssimo, empatado em 1 a 1 até os minutos finais. Pouco antes do fim do jogo, escanteio para o escrete canarinho. Zico golpeou de cabeça e desempatou a partida. Mas o juiz galês Clive Thomas encerrou o jogo, anulando o gol. Cercado pelos jogadores brasileiros, Thomas disse que encerrou a partida quando a bola estava viajando pela área sueca. Lamentável!

Outro jogo que entrou para a história foi França e Hungria, mas não pelo futebol apresentado. As duas equipes entraram em campo com o uniforme branco, sendo que a sorteada para usá-lo foi a Hungria. A França, já bastante contrariada com tudo o que acontecia na Copa, sobretudo com as arbitragens, entrou de branco como forma de protesto.

Nenhuma das equipes tinha uniforme reserva. Para o jogo acontecer, a França acabou vestindo o uniforme de um time da segunda divisão da Argentina, o C.A. Kimberley, todo listrado de verde e branco. O jogo terminou em 3 a 1 para a França, travestida de Kimberley.

Por conta do fraco futebol apresentado, com jogos empatados ou vencidos no sufoco, Brasil e Argentina acabaram caindo no mesmo grupo na segunda fase. Quem terminasse em primeiro do grupo, disputaria a grande final. As duas seleções chegaram à última rodada em condições de igualdade, pois ambas tinham vencido seus jogos contra as seleções do Peru e da Polônia. O empate entre Brasil e Argentina merece um comentário à parte, pois o jogo foi uma guerra campal poucas vezes vista no futebol. Muito pontapé, entradas violentas e quase nenhum futebol, uma vergonha.

Como o Brasil jogou antes (e ganhou de 3 a 1 da Polônia), a Argentina precisaria fazer 4 a 0 no Peru para avançar à final. Um resultado complicado, ainda mais contra os peruanos, que vinham bem na competição. Mas a Copa representava uma oportunidade ímpar para dar um pouco de alegria ao povo. Será mesmo que os anfitriões ficariam de fora da final? O grau de dificuldade da questão aumenta quando se considera que a outra seleção em disputa era a brasileira.

O jogo entre Argentina e Peru começou e o que se viu nos primeiros minutos da partida foi deplorável: jogadores peruanos se arrastando em campo, enquanto os argentinos faziam gols para conseguir disputar a final. Uma das maiores vergonhas das Copas do Mundo, partida contestada até hoje. Muito se falou que os argentinos teriam dado dinheiro para a seleção peruana amolecer o jogo. Há quem diga que os militares dos dois países teriam entrado em acordo e que até os dirigentes brasileiros teriam participado da história. Enfim, Argentina 6 a 0 Peru, e os hermanos na final.

A partida decisiva mais uma vez colocava sob os holofotes a excelente geração holandesa, mesmo sem Cruyff e Neeskens, contra o time da casa. Os argentinos estavam loucos pelo primeiro título mundial, e não queriam deixar passar a oportunidade de ganhá-lo em casa. O jogo começou e a Argentina foi para cima, como era de se esperar. O gol viria no final do primeiro tempo, quando Mario Kempes penetrou a área adversária e bateu na saída do goleiro.

A Holanda precisava do empate, que veio no finalzinho da etapa complementar do segundo tempo, com Nanninga de cabeça. O jogo foi para a prorrogação e, mais uma vez, a Holanda não conseguiria coroar aquela geração de ouro com um título. Kempes, novamente, colocou a Argentina na frente no início do segundo tempo da prorrogação. E a pá de cal na Holanda foi jogada por Bertoni, um dos grandes nomes do time, aos 10 minutos. Placar final: 3 a 1. A Argentina era campeã do mundo pela primeira vez. Lotado, o Monumental de Nunez foi à loucura. Nunca se viu tanto papel picado em um campo de futebol. A seleção argentina agora fazia parte do rol dos campeões mundiais.





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