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Copa do Mundo de 1962
Chile

A Copa do Mundo de 1962 quase não aconteceu no Chile. Dois anos antes do Mundial, o país foi vítima de um terremoto que atingiu 9,5 pontos na escala Richter – o mais violento do mundo no século 20. Milhares de mortos e 25% da população chilena desabrigada foram o saldo da tragédia. Diante deste quadro, como sediar a Copa e sua tamanha infraestrutura?

O presidente da Confederação Sul-Americana de Futebol, Carlos Dittborn Pinto – nascido no Rio de Janeiro, filho de diplomata chileno, e criado no Chile, não esmoreceu. “Porque nada tenemos, o haremos todo” (“Porque não temos nada, faremos tudo”), teria dito. E assim foi. Em dois anos, o Chile conseguiu se reestruturar, com o auxílio de Dittborn e da Confederação, mesmo com os incontáveis problemas e com o afastamento dos dirigentes chilenos, que não acreditavam que o país conseguiria se remontar para a Copa.

Infelizmente, Dittborn não conseguiu ver sua promessa cumprida, pois faleceu pouco antes do torneio. Mas o estádio de Arica foi batizado com seu nome e todos os estádios da Copa estamparam uma grande faixa com sua frase profética.

O Mundial de 1962 aconteceu entre 30 de maio e 17 de junho. Inscreveram-se para participar do torneio 57 países. Um novo recorde para os Mundiais. Entre os 16 selecionados, Brasil e Chile participariam automaticamente. O primeiro por ter vencido a Copa anterior, e o segundo por ser o país organizador.

Foi a competição com maior número de cartões de toda a história: seis jogadores foram expulsos de campo, ou seja, metade dos indisciplinados das últimas seis edições da Copa. O jogo entre Chile e Itália, o mais violento já visto em uma Copa, ficaria conhecido como a “Batalha de Santiago”.

Antes do jogo, o jornalista Corrado Pizzinelli declarou que Santiago tinha muitas prostitutas e indigentes espalhados pelas ruas. A declaração foi mal recebida e ganhou enormes proporções. Na entrada dos times em campo, os italianos chegaram a jogar flores para as arquibancadas, mas nada adiantou.

O começo da partida já se mostrou violento, com entradas duras e clima tenso. Um chute do chileno Toro no italiano Mora deu início à “batalha”. Ferrini devolveu a provocação. Mais tarde, o italiano Maschio acertou Sanchez – e o chileno revidou com um soco que quebrou o nariz do adversário.Resultado: duas expulsões, dois jogadores com fraturas e equipes saindo escoltadas.

O anfitrião do torneio também foi notícia por um motivo inusitado. O técnico Fernando Riera fazia os chilenos consumirem um alimento típico dos adversários antes das partidas. Contra a Suíça, queijo aos atletas. Placar: 3 a 1. Contra a Itália, espaguete. E 2 a 0 no jogo. Contra a Alemanha, a equipe já classificada relaxou no ritual e perdeu. Contra a União Soviética, distribuição de vodka aos jogadores. Vitória por 2 a 1. Contra o Brasil, os chilenos tomaram um forte café, mas dessa vez a mandinga não deu certo: 4 a 2 para nossa seleção.

O Brasil vinha com nove jogadores da final de 1958. O técnico era Aimoré Moreira. O maior obstáculo da equipe brasileira chegaria muito antes das rodadas finais da Copa. Em seu segundo jogo no Mundial, no dia 2 de junho contra a Tchecoslováquia, Pelé se contundiu. A seleção, no entanto, conseguiu se classificar para a fase seguinte. Tínhamos um outro rei. Garrincha, o “anjo das pernas tortas” foi o rei do Chile.

Nas quartas de final, o Brasil enfrentou a Inglaterra em Viña Del Mar, no dia 10 de junho. Garrincha resolveu a partida, que terminou em 3 a 1 para nossa seleção. A semifinal seria contra os donos da casa, em Santiago. Garricha, novamente, fez uma grande atuação e, diante de 77 mil espectadores – o maior público do Mundial –, vencemos o Chile por 4 a 2.

Garrincha foi expulso por falta em Eladio Rojs, mas não foi punido com um jogo de suspensão. A final seria contra a Tchecoslováquia, no dia 17 de junho. Mesmo com febre, Garrincha entrou em campo para a decisão. Tomou logo um susto, com Masopust abrindo o placar para os tchecos aos 14 minutos.

O Brasil empatou dois minutos depois com Amarildo, substituto de Pelé. No segundo tempo, foi a vez de Zito marcar o seu e virar o jogo. Aos 33 minutos, Zito marcou o terceiro e definiu o bi. Gylmar tornou-se o único goleiro bicampeão titular em Copas do Mundo. Pelo radinho, a torcida comemorou mais um título.  Invicto, o Brasil era novamente campeão do mundo.





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