Copas do Mundo
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Copa do Mundo de 1954
Suíça

Por ocasião do 50° aniversário da Fifa, a quinta edição da Copa do Mundo de futebol foi realizada na Suíça, sede da entidade. Além da celebração, a escolha do país era politicamente interessante. Um dos poucos europeus que permaneceu neutro durante a Segunda Guerra Mundial, a Suíça aliava bom poderio econômico a uma boa infraestrutura para receber o evento.

A Copa de 1954 foi o torneio dos recordes. A média de gols, por exemplo, é a maior até hoje: 5,38 por partida. Foram 140 bolas na rede em 26 jogos. Um deles, entre Áustria e Suíça, somou 12 gols, na partida que terminou em 7 a 5 para os austríacos.

Pela primeira vez, o Mundial seria transmitido pela televisão (para apenas oito países da Europa, é verdade, mas o fato já era revolucionário). O primeiro jogo de uma Copa transmitido ao vivo foi a vitória da Iugoslávia em cima da França, por 1 a 0.

O número de países inscritos para as eliminatórias da Copa também bateu o recorde de inscrições até então: foram 38 seleções, sendo que apenas duas delas, Polônia e China, desistiram da competição. O ponto alto das eliminatórias foi o garoto de 13 anos que classificou a Turquia para o torneio. Os turcos enfrentavam a Espanha para decidir quem iria à Copa e, nos dois primeiros jogos, uma vitória para cada lado.

A decisão aconteceria em campo neutro, na Itália, e mais uma vez o empate: Turquia 2, Espanha 2. A vaga teria de ser decidida por meio de um sorteio, e coube a Luigi Gemma, filho de um dirigente italiano que acompanhava a partida, tirar o papel do pote, classificando a seleção turca. A delegação acabou levando o garoto para a Copa como seu mascote.

A seleção brasileira já tinha batido na trave com o vice-campeonato em 1950, mas veio ainda abalada pela perda do título contra o Uruguai no Maracanã. Trocou até o uniforme branco pelo amarelo – sua marca registrada até hoje. Os brasileiros estavam bem no torneio, até encontrarem os temidos húngaros, com Puskas, Czibor e Kocsis. A derrota por 4 a 2 fez o time, que tinha craques como Didi, Nilton Santos, Djalma Santos e Castilho, voltar mais cedo para casa.

Após vencer o Brasil e o Uruguai, os húngaros enfrentariam na final a Alemanha Ocidental, a mesma que já havia sido batida impiedosamente pelo time de Puskas na fase inicial do torneio por 8 a 2 e que, àquela altura do torneio, jogava com o time reserva.

O favoritismo do time da Hungria era total, e o estádio Wankdorf, em Berna, lotou para assistir à grande final, que contabilizou um público de cerca de 60 mil pessoas. O começo do jogo foi eletrizante, com os húngaros marcando dois gols aos 4 e aos 8 minutos do primeiro tempo. Os gols relâmpagos foram a tônica da seleção húngara durante todo o torneio. Depois do Mundial, os demais times descobriram o porquê: diferentemente das equipes adversárias, a seleção da Hungria fazia o pré-aquecimento nos vestiários e entrava voando em campo. Uma invenção que se tornou obrigatória nos dias atuais, para evitar lesões e outros problemas nos atletas.

O jogo estava 2 a 0, mas os húngaros não tiveram nem tempo de comemorar. Dois minutos depois do segundo gol húngaro, a Alemanha marcou um gol e, aos 17 minutos do primeiro tempo, já empatava a partida. A arapuca alemã feita pelo técnico Sepp Herberger colocou Fritz Walter colado em Hidegkuti, garçom húngaro, e pediu que o contra-ataque fosse em bloco. Deu muito certo. O jogo se desenrolou de maneira dramática, com chances para ambos os lados.

Mostrando problemas físicos no segundo tempo, a Hungria diminuiu o ritmo e a Alemanha foi para cima. Aos 39 minutos, aconteceu o golpe de misericórdia. Ranh, que já havia feito o segundo gol alemão, anotou também o do título. A Hungria ainda tentou. Puskas, o Major Galopante, chegou a marcar mais um, mas o juiz assinalou impedimento. Festa alemã em Berna. A Alemanha era campeã mundial pela primeira vez. A virada foi surpreendente, inacreditável. Ficou conhecida como o “Milagre de Berna” e virou até filme décadas depois.





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