Copas do Mundo
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Copa do Mundo de 1938
França

Em 1938, a terceira edição do maior evento do planeta se deslocava para a terra de Jules Rimet, principal artífice da criação da Copa do Mundo e o maior responsável em levar o evento para a França em 1938. Como acontece até hoje, o torneio ultrapassava as fronteiras das quatro linhas do campo, e questões políticas, sociais, econômicas e culturais se misturavam ao jogo de bola.

Além da França, a Alemanha e a Argentina tentaram ser a sede do torneio, mas suas candidaturas não vingaram. A Argentina desistiu de participar da competição porque, segundo seus dirigentes, a escolha da França desrespeitava as regras anteriormente estabelecidas – de que Europa e América se revezariam na realização da Copa.  

Nada que diminuísse a grandiosidade do Mundial. Jules Rimet queria dar muito brilho àquela Copa. Tentou até antecipá-la para 1937, para que a Copa acontecesse no mesmo ano da exposição de arte moderna, mas não houve acordo e o a Copa foi realizada em 1938. 

Com a Segunda Guerra Mundial se avizinhando, vários acontecimentos alheios à bola marcaram o campeonato. A Áustria, por exemplo, foi anexada à Alemanha às vésperas de sua estréia no Mundial, e acabou saindo da Copa antes mesmo de entrar.

Sem a Áustria, a Suécia se classificou diretamente para as quartas de final, marcando o primeiro e único W.O. da história do certame. Em jogo das oitavas de final, jogadores alemães fizeram gestos fascistas e foram vaiados pela torcida presente ao Parc dês Princes. Outro fato marcante foi o uniforme todo preto da Itália no jogo das quartas de final contra a França, homenageando o fascismo de Mussolini.

O Brasil, ainda sem o carimbo de campeão, passava por mais um período bastante conturbado, mas o talento de seus jogadores começava a se sobressair. Entre os anos de 1935 e 1937, a seleção brasileira fez apenas três partidas, ou seja, foi disputar a Copa praticamente sem treinar. Mesmo assim, terminou em terceiro lugar.

O fato pitoresco da participação canarinho na França foi o gol descalço de Leônidas da Silva. Na estreia brasileira na Copa, nas oitavas de final (naquela época o campeonato não contava com a fase de grupos), a seleção brasileira enfrentou a duríssima Polônia, em um jogo que teve 11 gols.

Diamante Negro, artilheiro brasileiro na competição, fez metade dos gols para o Brasil, na vitória por 6 a 5. No último, já na prorrogação, debaixo de uma forte chuva que caía na cidade de Estrasburgo, a chuteira de Leônidas ficou com a famosa boca de jacaré, descolando a sola do restante do calçado.

Enquanto aguardava que a chuteira fosse consertada, Leônidas permaneceu em campo e o juiz, por conta da chuva que caía e das meias pretas dos jogadores, que estavam ainda mais escuras por conta da lama, não viu o pé descalço do artilheiro. O juiz apitou a cobrança de falta, que foi cobrada e fez a  bola bater na barreira polonesa, sobrando limpa para Leônidas fuzilar o goleiro, que não teve chance de defesa.

Outro lance engraçado, só que agora contra o Brasil, foi na partida semifinal contra a Itália. O italiano Giuseppe Meazza teve o cordão de seu calção arrebentado e o segurou com a mão para bater o pênalti e decretar a vitória italiana por 2 a 1. No calor da comemoração, Meazza se esqueceu do problema, largou o calção e correu para comemorar. Quando se deu conta, o calção estava no tornozelo.

A Itália estava na final da Copa de 1938, contra a Hungria. Quase 60 mil espectadores se espremeram no Stade Olympique des Colombes para acompanhar a decisão que colocava frente a frente o poderio de ataque dos húngaros, com Titklos e Sárosi, contra o quadrado mágico italiano, dos craques Meazza, Piola, Ferrari e Colaussi. Mais uma vez, os italianos receberam um recado do ditador Mussolini antes da partida começar: um telegrama com os dizeres “Vencer ou arcar com as consequências”. Tensos, os italianos foram a campo esperando um jogo difícil.

Com toda a pressão para cima da Squadra Azurra, os italianos trataram de jogar e logo abriram o placar com gol deColaussi, aos seis minutos. A tensão voltou a pairar no estádio quando, dois minutos depois, Titklos empatou o jogo. A Itália voltou a mandar na partida e a envolver os húngaros, até que o artilheiro Piola, aos 16 minutos, marcou 2 a 1. O jogo foi se desenrolando com a Itália melhor em campo até que, aos 35 minutos, em grande lançamento de Meazza, Colaussi invadiu a grande área e bateu forte na saída do goleiro: Itália 3 a 1.

Na volta para o segundo tempo, o jogo se manteve morno e parecia que o placar permaneceria inalterado. Mas aos 25 minutos, a Hungria arrancou num contra-ataque, Titklos tocou para Sarosi, que já dentro da grande área dominou e bateu forte fazendo o segundo gol húngaro e colocando fogo no jogo. Mas a Itália tinha Piola, artilheiro matador, e o jogador acabou matando o sonho húngaro de chegar ao empate aos 37 minutos da segunda etapa, quando recebeu cruzamento de Biavatti e tocou no canto direito da meta húngara, dando números finais a partida. Itália 4, Hungria 2.

Festa italiana na França. A Azurra era bicampeã do mundo. Mussolini, feliz por manter a hegemonia no futebol, recebeu os jogadores e deu a todos eles um prêmio em dinheiro. A Itália foi a única seleção, até então, a ganhar fora de seus domínios e a manter o título de campeã do mundo.





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