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Paysandu
(Papão, Alviceleste, Papão da Curuzu)
Fundação: 02/02/1914

“Estão convidados todos os interessados na fundação do novo clube de ʻfoot-ballʼ a comparecer hoje, ás 8 horas da noite, no prédio á rua Pariquina, 22”, estampava a Chronica Sportiva do dia 2 de fevereiro de 1914. O convite foi atendido por 42 pessoas que, naquele dia, na casa de Abelardo Conduru, criaram o Paysandu Foot-Ball Clube. Fundado principalmente por um grupo de dissidentes do Norte Club, a nova agremiação de Belém do Pará homenageava com seu nome um episódio histórico, a chamada Tomada de Paysandu.

Cidade do Uruguai, Paysandu foi tomada por tropas e esquadras brasileiras no dia 2 de janeiro de 1865, em um episódio que foi parte do conflito entre tropas do Império do Brasil e integrantes do Partido Colorado do Uruguai, que lutavam contra os membros do governo uruguaio pertencentes ao Partido Blanco. O nome do time seria escrito da mesma forma que o da cidade: Paysandu. No dia 19 de fevereiro, em outra reunião entre os fundadores do clube, decidiu-se substituir o “Foot-Ball Club” por “Sport Club”. 

O primeiro jogo do Paysandu Sport Club seria em 14 de junho, na inauguração do campo da firma Ferreira & Comandita (que hoje é patrimônio do Papão). O campo lotou para ver o novo time enfrentar aquele que se tornaria seu maior rival, o Remo. Juntos, os dois times fazem até hoje o clássico mais tradicional da região Norte, o Re-Pa.

Em 1920, o time conquistaria seu primeiro estadual (depois de seis vice campeonatos nos anos anteriores). Em pouco tempo, o Paysandu se tornou um dos clubes mais populares da região Norte. Sua torcida ganhou corpo e se transformou em uma imensa legião, fiel e apaixonada.

Os títulos paraenses, vencidos dezenas de outras vezes desde 1920, são acompanhados por dois títulos nacionais na Série B, um título da Copa Norte e um título da Copa dos Campeões ― que levou o Paysandu à Copa Libertadores da América de 2003, um feito inédito entre os clubes da região.

palco
Site oficial do Paysandu (www.paysandu.com.br)

Assim que surgiu, o Paysandu adotou um campo no bairro do Souza para realizar seus treinos. Os primeiros jogos amistosos do clube foram realizados naquele campo, que logo seria substituído por outro um pouco maior, próximo dali. Em abril de 1916, a nova casa inaugurou suas arquibancadas, com uma programação repleta de esportes.

Em julho de 1918, o clube compraria o campo da firma Ferreira & Comandita. O estádio havia sido inaugurado quatro anos antes, em uma partida entre Paysandu e Remo, no primeiro jogo oficial do Paysandu. A compra foi viabilizada por Leônidas Sodré de Castro, que presidiu o clube e foi figura importante na trajetória do Paysandu, tendo participado de muitas de suas diretorias. Seu nome tornou-se o nome do estádio, que também seria chamado de Curuzu.

O campo da Curuzu, hoje com capacidade para pouco mais de 16 mil pessoas, testemunhou as maiores conquistas do clube. Um dos jogos que ficou registrado na história do time aconteceu em 18 de julho de 1965. Os donos da casa receberam o uruguaio Peñarol, que excursionava pelo Brasil com uma grande equipe, vencedora de Libertadores e de um Mundial de Clubes. Pois o Paysandu, cujos jogadores combinavam o futebol com outras ocupações profissionais na época, bateu o Peñarol por 3 a 0.

A surpreendente vitória foi noticiada em todo o Brasil. Nelson Rodrigues escreveu uma crônica sobre o tema: “Seja como for, diante de nós está um fato irredutível, inarredável: o Penãrol, que costuma ser a seleção uruguaia, com poucos enxertos, entrou por um deslumbrante cano paraense. Agora, batendo essas notas, eu posso imaginar o brio, a gana, a sede, a chama com que jogaram os paraenses”, afirmava em um trecho do texto.

É com brio, gana, sede e chama que o Paysandu fez história no Curuzu e no futebol brasileiro.





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